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Archive for março \25\UTC 2007

Na narrativa da criação do mundo, temos a maior expressão do poder de Deus:  

1 No princípio, Deus criou os céus e a terra. 2 A terra estava informe e vazia; as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. 3 Deus disse: Faça-se a luz! E a luz foi feita. 4 Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas. 5 Deus chamou à luz DIA, e às trevas NOITE. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o primeiro dia.
(Gên, 1:1-5)

É com tais enunciados, extraídos do livro Gênesis, que se inicia a narrativa bíblica do Antigo Testamento. A palavra Gênesis (do grego génesis, pelo latim gênese) significa formação, constituição, origem. Nesse sentido, essa narrativa propõe uma leitura sobre a formação do mundo, que se dá através da linguagem: “3 Deus disse: Faça-se a luz! E a luz foi feita. 4 Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas. 5 Deus chamou à luz DIA, e às trevas NOITE. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o primeiro dia”. Temos aí a expressão do poder de Deus através da linguagem: por meio das palavras, Deus criou a luz, o firmamento, separou as águas das águas, criou as plantas, os animais, o homem e a mulher. Assim, são as palavras de Deus que constituem o mundo, as coisas do mundo e no mundo.


Deus, que tem o poder de criar através da palavra, criou homem e mulher a sua imagem e semelhança. Desse modo, o ser humano, sendo um ser divino, recebeu o poder de criar aqui na Terra. Usando esse dom, criou a Paz, o Amor, a Esperança e tantas outras coisas que julgava serem boas. Porém, no tempo do Paraíso, homem e mulher, seduzidos pela serpente, comeram o fruto proibido porque acreditaram que conheceriam o bem e o mal e que seriam como deuses. Em parte, foi o que aconteceu. Ao casal, que conhecia o bem, foi-lhes dado conhecer o mal: a discórdia, a mentira, a vingança, a raiva, a malícia. Mas não se tornaram deuses, como desejaram, não alcançaram o poder que haviam imaginado. Ao conhecer o mal, o ser humano criou a Guerra, a Vingaça.
Portanto, se as palavras têm o poder de constituírem a realidade, então, por exemplo, palavras de amor constituem uma relação de amor; palavras de ódio constituem uma relação de ódio.

Já na narrativa do Novo Testamento, João (no capítulo 1) nos conta que Jesus era o próprio Verbo: 1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. 2 Ele estava no princípio junto de Deus. 3 Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. 4 Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens. 5 A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. Jesus, sendo o Verbo, sendo aquele que cria, era, assim, também a vida. O poder de suas palavras trouxeram vida àqueles que a escutaram. Como, por exemplo, as palavras dirigidas a Lázaro: “exclamou em alta voz: Lázaro, vem para fora! E o morto saiu, tendo os pés e as mãos ligados com faixas, e o rosto coberto por um sudário.” (Jo 11, 43-44).

Mas não só as narrativas sobre os milagres de Jesus demonstram isso. Do mesmo modo, suas parábolas, seus ensinamentos tiveram poder sobre aqueles que a ouviram e, durante 2000 anos, sobre aqueles que a leram e a lêem.   
Das palavras proferidas por Jesus, a mais poderosa é o Amor.

O Amor é o sentimento desejado por todos: cristãos, não-cristãos, ateus. Estes últimos podem não acreditarem em Deus, mas não negam que é necessário mais amor no mundo. Através do Amor, Jesus nos ensina a maior lei: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.” Algumas lições podem ser tiradas dessa lei. A primeira é amar o Criador porque também Ele deseja ser amado. A segunda: antes de amar o próximo, é preciso amar a mim mesmo porque aquele que não ama a si mesmo, não amará o outro.
Outra lição que temos é sobre o próximo. Amar o outro é amar o samaritano, aquele que nos tempos de Jesus não tinha muita dignidade. É amar e saber perdoar o pecador, como Jesus fez com a adúltera Madalena, pois Jesus veio para condenar o pecado e, principalmente, para perdoar o pecador. Pecadores somos todos nós. “Quem não tiver pecados, que atire a primeira pedra” (Jo 8, 7), são palavras que valem para o nosso tempo.

Nesse sentido, se pensarmos sobre a Fecundidade Apostólica que recebemos do Santuário de Schoenstatt, graça também dada aos Apóstolos que nos deixaram de herança as palavras de Jesus Cristo, que palavras nós, Schoenstattianos, queremos deixar de herança? 

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